Encontrar uma “receita para a felicidade” sempre foi uma tarefa complexa. Desde a antiguidade, diversos filósofos, artistas e escritores procuraram definir e elaborar caminhos para cultivar uma vida plenamente feliz.

Atualmente, esta missão também inclui a participação de médicos, pesquisadores e neurocientistas. Isso porque a felicidade também pode ser encarada como um processo biológico, causado pela combinação de hábitos, neurotransmissores e hormônios que podem desencadear esse sentimento.

Ficou curioso? Neste post, você vai conhecer de perto a endorfina, um hormônio da felicidade capaz de transformar a vida de uma pessoa, e aprender como aumentar sua produção no organismo. Continue a leitura!

Afinal, o que é a endorfina?

Ao investigar os rápidos efeitos da absorção da morfina, na década de 70, alguns cientistas descobriram as ações das endorfinas. O termo tem origem nas palavras “endógeno”, que significa “do interior”, e “morfina”, que é um poderoso analgésico. Em outras palavras, as endorfinas são analgésicos naturais, secretados dentro do próprio corpo.

As endorfinas pertencem ao grupo de neuromoduladores (os “mensageiros químicos” no cérebro), mas são distribuídas por todo o sistema nervoso. Como agem diretamente nos receptores cerebrais, os sentimentos de dor são reduzidos, de forma similar ao que ocorre com a morfina ou codeína.

No entanto, bem diferentemente do que pode acontecer com os analgésicos, não há risco de as endorfinas desencadearem qualquer vício. Uma ótima notícia, não é mesmo?

Quais são os efeitos do hormônio da felicidade no corpo?

Assim como as dopaminas, serotoninas e ocitocinas, a endorfina também é responsável por aquela sensação de “dever cumprido” após uma longa série de exercícios físicos e do sentimento de aconchego ao ser acolhido por um novo grupo ou abraçar uma pessoa amada.

A pesquisadora Loretta Breuning, autora do livro Habits of a happy brain (Hábitos do cérebro feliz, em tradução livre) classifica a endorfina como uma “breve euforia, capaz até de mascarar a dor física”. Um exemplo disso são os atletas que ultrapassam os seu limites em uma prova, e apenas após concluí-la, sentem os efeitos do excesso de esforço no corpo.

Além de sua atuação no controle da dor e outros desconfortos, a endorfina também estimula a sensação de prazer, alegria e bom humor. Por se tratar de um neuro-hormônio, sua liberação deixa o corpo automaticamente mais tranquilo e relaxado, fazendo com que os outros hormônios trabalhem para tornar o organismo menos suscetível aos efeitos negativos do estresse e da ansiedade.

O que causa a liberação das endorfinas?

No geral, tudo que nos motiva estimula o cérebro a liberar endorfinas. Algumas dicas para ativar estes gatilhos são:

Alimentar-se bem

Estudos sugerem que desfrutar com moderação dos alimentos que trazem prazer e são agradáveis ao paladar podem fazer a diferença no nível de felicidade. Ingredientes como o cacau e a pimenta podem potencializar este efeito, tendo em vista que são alimentos ricos em fenetilamina (um composto orgânico que estimula a produção de endorfina) e teobromina (que suprime a sensação de dor, permitindo que o corpo sinta mais prazer).  

Socializar

Invista nas suas relações interpessoais. Realizar atividades em grupo, dar boas risadas com amigos ou família e até desfrutar de momentos de intimidade com a pessoa amada são ótimas ocasiões para liberar hormônios de felicidade, como endorfina e ocitocina.

Praticar exercícios

Atividades físicas “estressam” (positivamente!) o sistema nervoso, que começa a liberar endorfinas para lidar com esta mudança. Isso explica por que é tão difícil começar a praticar um exercício, mas, em compensação, você se sente satisfeito e feliz quando o workout termina.

Na próxima vez em que for praticar alguma série de exercícios, faça o teste: a cada cinco minutos, pense em como se sente usando uma escala de um (nada feliz) a dez (completamente feliz). Compare os números do início ao fim da série e, se preciso, aumente a intensidade das atividades (gradualmente, sem comprometer sua saúde física!) até esse número subir.

Ouvir música

Eis uma boa notícia para quem não larga os fones de ouvido: seu cérebro libera ainda mais endorfinas quando você ouve ou participa ativamente da criação de músicas (daí vem a sensação de alegria quando escutamos harmonias dançantes e relaxamento ao ouvir sons calmos). Por isso, se você não toca nenhum instrumento, cante ou dance junto com suas músicas favoritas.

Meditar

Alguns dos principais objetivos da meditação são fazer com que seus praticantes acalmem a mente e consigam equilibrar suas emoções, mas, na prática, os benefícios vão muito além disso.

Por meio do trabalho mental e respiratório, existe uma diminuição dos batimentos cardíacos e é possível se auto-observar durante a prática, notando que o corpo trabalha de uma forma totalmente diferente. Devido a todas essas mudanças físicas e psíquicas, a endorfina é liberada, causando a sensação de bem-estar e tranquilidade.

Como começar a estimular a produção da endorfina?

Quando associamos atividades que temos prazer em executar, seja um esporte ou seja uma atividade social, isso nos proporciona aquela sensação de bem-estar tão desejada, independentemente de qual tipo de hormônio da felicidade ativaremos em nosso organismo.

Com isso, é possível concluir que aquelas atividades que estimulam o cuidado de nós mesmos e de outras pessoas são as que vão gerar felicidade, alegria, bem-estar, sensação de dever cumprido, amor, reciprocidade e bom humor. Pensando nisso, por que não começar a adotar mais o sentimento de amor (próprio e para com os outros) em sua vida? 

Você pode começar cuidando da própria saúde física e mental, exercendo trabalhos voluntários, desfrutando da companhia de amigos e até mesmo ajudando as pessoas que precisam de um abraço ou uma conversa. 

Além disso, inserir a meditação na sua rotina é uma estratégia bem fácil e eficaz para estimular a liberação do hormônio da felicidade em seu organismo. Com apenas alguns minutos por dia, já é possível observar mudanças no seu nível de bem-estar e satisfação pessoal.

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* Conteúdo produzido com base na entrevista realizado com Thiago Arias. Profissional especializado com mais de 15 anos de experiência nas mais diversas áreas da Educação Física.